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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

AS MUDANÇAS NO CICLO DE VIDA FAMILIAR

         Durante o ciclo de vida de uma pessoa, ela passa por vários fases: infância, adolescência, vida adulta e terceira idade. Cada fase tem características comportamentais próprias, maneiras de pensar, valores e conceitos compatíveis com cada uma delas. Em cada estágio do ciclo de vida existe papéis distintos a serem desempenhados pelos membros da família, uns em relação aos outros.
           Os membros de uma família são afetados pelas experiências que aparecem no ciclo de vida familiar: nascimento, enfermidade, escola, novo emprego, falta de emprego, ausência temporária de um dos membros, aposentadoria e morte. 
          Considerem que família inclui de três a quatro gerações. As famílias podem estar separadas domiciliarmente, constituindo-se em subsistemas emocionais, que reagem aos relacionamentos anteriores, atuais e futuros, dentro de um sistema familiar maior. Para exemplificar é só verificar a influência que sofremos de nossos avós, pais, irmãos e filhos.
          Tornar-se um casal é uma das tarefas mais difíceis e complexas do ciclo de vida familiar. Poucos pensam em realizar juntamente com os exames pré-nupciais, um aconselhamento pré-conjugal. Quando duas pessoas resolvem se casar, não são apenas elas que se casam, são suas famílias. Podemos dizer que é a união de dois sistemas imensamente complexos. Avaliar essa complexidade emocional no início do relacionamento poderia tornar mais amenos os problemas advindos dessa união.
         As amizades devem ser preservadas e os membros da nova família devem cultivar sistemas de amizades fora da família. É comum que as mulheres organizem suas amizades e dos filhos em torno dos associados de negócios do marido. As amizades não são feitas com base em interesses pessoais mas sim no "coletivo", onde  impera a necessidade relacional do marido. Não se deve confundir rede profissional com amigos.
          Outra dificuldade que pode parecer banal, é definir o tipo de relação que cada um deseja ter com a família de origem. Para o Sr. X, será mais fácil ir todos os domingos a casa de seus pais, onde encontrará os irmãos e receberá sábios conselhos de seu pai. Para a Sra. X, isto pode ser visto como aprisionamento e controle; a sua proposta seria a de passar os dois a sós, conversando sobre suas coisas. Claro que esta situação pode ser invertida e a necessidade de estar com a família de origem seja mais dela do que dele. Mas em qualquer situação, isto vai gerar um conflito.
         As famílias sempre foram constituídas no modelo tradicional, onde o homem tinha a posição superior, desde tipo físico, instrução, e maior poder para ganhar dinheiro. Este modelo já está quase em extinção. Hoje, cada um ocupa o seu espaço no relacionamento e desempenha funções em comum. A mulher solteira já não é mais vista como solteirona frustrada. Estatisticamente, quanto mais instrução uma mulher tem, e quanto melhor seu trabalho, menos provável que se case. Para os homens, acontece o contrário, quanto melhor o seu posicionamento profissional, mais é cobrado a sua condição de "homem casado" (responsável).
               A família continua sendo constituída por progenitores e filhos. Porém, as mudanças nos padrões do ciclo de vida familiar aumentaram significativamente: o índice de natalidade é menor, a expectativa de vida é mais longa, ocorreram mudanças do papel da mulher na relação e um crescente índice de divórcio e recasamento.
               Nas famílias recasadas, com filhos da primeira união, o papel da mulher é muito difícil pois ela exercerá o papel de madrasta. Em uma cultura onde a maternidade é tão exaltada, a que entra no lugar da mãe "perdida" terá que atender a expectativas quase que impossíveis de serem satisfeitas. Uma tendência natural da mulher é a de assumir a responsabilidade pelos relacionamentos familiares e acreditar que é sua culpa os desentendimentos ocorridos no seio familiar. Isto também é uma verdade para a madrasta.
             A partir do casamento, o casal passa a vivenciar a relação a dois, procurando seu ponto de equilíbrio. Nesta busca, chega o primeiro filho que, muitas vezes, representou uma exigência indireta da sociedade, dos pais e até uma tentativa do próprio casal de superar algumas dificuldades no relacionamento.
              O filho pode ocupar diferentes lugares na família. Para alguns casais, o filho é um presente especial que o marido oferece à esposa, para que ela possa se ocupar. O filho pode ser usado como forma de dar sentido à vida do casal cujos laços estão debilitados. Porém, a chegada de um terceiro elemento requer um processo de aceitação e adaptação. O homem e a mulher que exerciam a função de esposos, passam a desempenhar a função de pais. Exercer estes papéis de forma harmoniosa é uma dura tarefa para aqueles que não tinham alcançado o equilíbrio a dois.
              Para solucionar os possíveis problemas que possam surgir, entram em cena os avós, que cedem suas casas e experiência aos netos. O casal passa a fazer suas refeições na casa dos pais/sogros e a própria casa é usada como hotel. Não sentido-se capaz de assumir a organização de sua própria família nem de habitar sua própria casa, entregam-se aos seus progenitores e assim, temos a ampliação da família, que pode complicar o relacionamento futuro, por não permitir ao casal vivenciar suas experiências enquanto pais. Qual é o certo? O que é normal?
            Definir uma família como "normal" é tarefa impossível, porque definir o que é normal seria fechar-se em um único modelo de família. Casais que representam uma porcentagem sempre crescente da população estão vivendo junto sem oficializar a união. Cresce o número de casais que tem filhos sem que haja um casamento (produção independente). As famílias formadas pelos homossexuais, feminino ou masculino, estão fluindo em grande intensidade e o tempo médio de vida das uniões, em geral, é menor.
          Outro fator que afeta as famílias é o processo migratório. Mudam-se constantemente por motivos profissionais, financeiros, entre outros, tendo que se adaptar a novas culturas, e muitas vezes, um ou mais membros da família deixam a região, o estado e até mesmo o país, para exercer suas funções profissionais, chegando a ficar anos sem um contato próximo com seus familiares.
             Diante de tantas influências, é natural que a família adoeça e então entre no chamado estado "disfuncional". Uma família disfuncional é aquela que responde as exigências internas e externas de mudança, padronizando seu funcionamento. Relacionam-se sempre da mesma maneira de forma rígida não permitindo possibilidades de alternativa. Podemos dizer que ocorre um bloqueio no processo de comunicação familiar.
            Por mais doentio que possa parecer, este comportamento tem que ser mantido nem que para isso seja eleito um membro para "ser" ou "ter" o problema. Os sintomas do paciente identificado constituem a expressão de uma disfunção familiar e que, tratar apenas do paciente identificado, somente iria desfocar o problema, sem considerar as inter-relações que se estabelecem no grupo.
               A terapia familiar visa delimitar os papéis a serem desempenhados dentro da dinâmica familiar bem como as fronteiras, possibilitando assim. a integração e a comunicação do grupo familiar. O trabalho familiar é indicado quando existe um membro identificado ou quando os membros apresentam sofrimento decorrente de um relacionamento familiar comprometido e torna-se necessário modificar sua estrutura.
        
[Fonte: http://www.wnet.com.br/users/clcmoraes/ciclo.htm]

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